Pela superação da violência: sim à vida

Por ocasião do Dia de Finados, 02 de novembro, quando fazemos memória de nossos falecidos, a fé cristã nos lembra que a vida é o dom mais precioso que recebemos de Deus. A morte, enquanto realidade natural, faz parte do processo da vida. Por isso, todos morreremos. Mas, pela fé em Cristo morto e ressuscitado, para nós cristãos a morte é passagem para a vida plena na eternidade. Na caminhada de nossa existência, somos responsáveis pelo cuidado com a nossa própria vida e a de nossos semelhantes.

No entanto, há muitas mortes que não são naturais. São consequência das injustiças e desigualdades sociais, da omissão do poder público, da opção pela economia sem coração, de uma cultura de exclusão. Mortes violentas, fruto da ausência de políticas públicas (moradia, educação, saúde, segurança, trabalho etc.), do tráfico de pessoas e de drogas, da irresponsabilidade no trânsito, deixam marcas profundas em nossa vida pessoal e social.

Entre 1º. de janeiro e 22 de outubro deste ano, os casos de mortes violentas subiram 15,7% em todos os municípios catarinenses, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública. A capital encabeça o ranking no Estado com 135 casos, um aumento de 95% em relação ao mesmo período de 2016.

Diante dessa preocupante realidade, a Arquidiocese de Florianópolis manifesta sua solidariedade com todos os envolvidos, que sofrem a morte de pessoas queridas e se sentem impotentes na busca de solução para tão grave problema. Conclama as pessoas de boa vontade, os poderes executivo, legislativo e judiciário, as organizações civis, as igrejas, os movimentos sociais, os meios de comunicação e, sobretudo, as famílias, a romperem com a cultura da indiferença e do descarte e promoverem o cuidado e a defesa da vida, do início ao fim natural, especialmente dos mais vulneráveis nessa situação, que são os jovens.

Convida todos a assumir, desde já, o tema da Campanha da Fraternidade de 2018: “Pela superação da violência”.

A fé na ressurreição nos impulsiona a superar toda forma de violência e promover a cultura da vida.

Dom Wilson Tadeu Jönck

Arcebispo de Florianópolis