O exemplo de Santa Ana e São Joaquim e a importância da presença dos avós em nossas vidas

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Sabemos que São Joaquim e Santa Ana são os pais de Nossa Senhora. Eles são, portanto, como os nossos avós espirituais, já que Nossa Senhora é nossa mãe. Em um tempo no qual tudo aquilo que é antigo parece ser inútil, no qual o respeito pelos mais velhos parece ser uma virtude ultrapassada, no qual os avós muitas vezes se sentem invisíveis na família ou como um fardo a mais que talvez fosse melhor não existir, não surpreende muito que esses dois santos não sejam dos mais celebrados. Mas não será isso um sinal também de alerta? Qual a importância da presença dos avós em nossas vidas?

Vivemos em uma cultura que parece valorizar cada vez mais o descartável. Minha avó sempre disse que as coisas antigamente eram feitas para durar. De fato, no seu apartamento está um relógio que é muito antigo e que ainda funciona perfeitamente. As geladeiras facilmente duravam trinta anos sem muita necessidade de conserto. Hoje em dia, tudo se troca muito rapidamente. O novo é o melhor parece ser o slogan da cultura de hoje. Ter um celular ultrapassado equivale, mais ou menos, a ser menos digno, ser menos pessoa. É justamente aqui que precisamos voltar a valorizar os nossos avós.

Eles são, antes de qualquer coisa, pessoas humanas. São Filhos de Deus. E essa é a sua dignidade. Assim como essa é a dignidade de todas as outras pessoas marginalizadas em nossa sociedade que parecem não encaixar no modelo que hoje se tem de aceitável. E no fundo, essa mesma é a dignidade também daqueles que se encaixam na sociedade e que muitas vezes colocam seu valor e sua esperança em outras coisas que não lhes dão muito mais do que um status social diferenciado e que passa muito rapidamente. É preciso resgatar o valor da pessoa humana, um bem em si mesmo, desde a concepção até o fim de sua vida.

Por outro lado, existe ainda uma outra razão importante para olharmos com carinho por nossos avós. Eles são o poço de sabedoria que encarnam em suas vidas aquilo que nós somos, nossa identidade. Nós somos filhos de um local específico, de um modo de pensar, de hábitos sociais, de maneiras de conviver que não nasceram comigo, mas que eu herdo dos mais velhos. E isso está expresso em sua maturidade nos nossos avós. Inclusive se não concordamos com muitas coisas que vivemos hoje, é preciso sentar ao lado dos avós e beber de sua sabedoria de vida para poder entender de onde vêm essas coisas e como podemos ser mais autenticamente aquilo que somos e que estamos perdendo.

Falar pouco de Santa Ana e de São Joaquim pode ser a manifestação de que também nós estamos inseridos nessa cultura do descartável que apenas olha para o novo sem perceber que por baixo dele muitas outras coisas aconteceram para que ele fosse possível. É não perceber também que se não nos apoiamos naquilo que somos, que herdamos dos avós, da Tradição da Igreja por exemplo, ficamos sem saber para onde ir e podemos acabar destruindo muita coisa boa que foi feita porque não conseguimos mais discernir o que é bom e o que é ruim. Por tudo isso, vale a pena passar um café e ir, com paciência, sentar ao lado do vovô e da vovó para bater aquele papo demorado e muito importante.

 

Por: Ir. João Antônio Johas Leão, via A12.com

Fonte: Aleteia